Versão impressa ISSN: 1676-1014

Versão on-line ISSN: 2595-1769

Volume 45 - Número 109

Editorial
Psicologia em movimento: o saber que se renova no encontro entre pesquisa, formação e prática.

Marilda Novaes Lipp; Esdras Guerreiro Vasconcelos

Boletim Academia Paulista de Psicologia, 45(109), -
Palavras-chave:
Prêmio Aidyl Macedo de Queiroz Pérez-Ramos - 2025
Psicologia e umbanda(s): revisão de escopo das teses e dissertações brasileiras

Ararê Dias Calia50; Marlise Aparecida Bassani51

Boletim Academia Paulista de Psicologia, 45(109), 232-247
Historicamente notamos a intensa estigmatização que religiões de matrizes africanas, assentadas em solo brasileiro, continuam a estar sujeitadas. Estudos psicológicos que exploram a temática das religiões e sua relação com a saúde, têm ganhado cada vez mais espaço hodiernamente. Nosso objetivo foi realizar uma revisão de escopo dos produtos acadêmicos de mestrado e doutorado no Brasil, referentes à interlocução entre Psicologia, Formação, Clínica, Religião e Umbanda, a partir do banco de teses e dissertações da plataforma da BVS-Psi Brasil. Nossas análises foram sustentadas por uma interpretação fenomenológica. Encontramos resultados indicadores de uma produção ainda incipiente, além de compreendermos a necessidade de aprofundamento e continuação de pesquisas que ampliem o diálogo crítico desse rico universo de saberes e possibilitem transformações no contexto formativo e de atuação do psicólogo, principalmente na clínica. O presente artigo foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – Brasil (CAPES) e do Encruza Instituto de Psicologia e Pesquisa. Palavras-chave: Psicologia; umbanda; formação; clínica; revisão de escopo
Psicologia, assistência social e educação em diálogo na construção de políticas intersetoriais

Vanessa Cristina da Silva Malpighi54; Marilene Proença Rebello de Souza55

Boletim Academia Paulista de Psicologia, 45(109), 248-259
Esta pesquisa toma por objeto de estudo a intersetorialidade das políticas sociais. Tem como objetivo analisar as dimensões da intersetorialidade, estabelecidas entre as políticas de Assistência Social e de Educação, na perspectiva da Psicologia Escolar e Educacional. Adota como pressuposto teórico e metodológico o enfoque Histórico-Cultural e, como fonte de dados, documentos oficiais do governo federal, da municipalidade e entrevistas com gestores da política de Assistência Social e de Educação Integral. A análise e interpretação dos dados baseia-se nos Núcleos de Significação, com a produção de sete eixos de análise. Tem-se então, a intersetorialidade formada por quatro dimensões interdependentes: política, econômica, social e ideológica. Além disso, a impositiva integração sinérgica dos serviços, atores e políticas públicas para formação da intersetorialidade retrata o paradoxo das políticas neoliberais; por um lado, concede espaço privilegiado há certos grupos sociais, por outro, regulamenta a presença das camadas populares nos processos políticos de caráter decisório. Palavras-chave: intersetorialidade; políticas públicas; Psicologia histórico-cultural; educação básica; Psicologia escolar
Teorias, pesquisas e estudos de caso
A aprendizagem no estágio de psicodiagnóstico interventivo grupal através da entrevista devolutiva

Mariana do Nascimento Arruda Fantini1

Boletim Academia Paulista de Psicologia, 45(109), 117-128
A necessidade de permanente verificação das práticas psicológicas desenvolvidas pelos serviços-escola dos cursos de Psicologia é um consenso. Tanto para a garantia da qualidade do cuidado psicológico ofertado, quanto para a certificação de que os estágios oferecem formação adequada aos alunos-estagiários. Este trabalho tem como objetivo descrever e refletir sobre o processo de ensino-aprendizagem de alunos do quarto ano do curso de Psicologia durante o estágio de Psicodiagnóstico Interventivo grupal. Tendo como foco a prática e vivência oportunizada pelas entrevistas devolutivas realizadas em grupo. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, conduzida pelo método de estudo caso. Para tanto, construíram-se narrativas clínicas das cinco devolutivas em grupo que ocorreram ao longo do processo, através das quais depreenderam-se as condutas dos estagiários. Sistematizam-se quatro momentos significativos do processo de ensino-aprendizagem e demonstra-se a mobilização dos estagiários durante o estágio, desde uma posição de observação e dependência do supervisor, até uma postura de maior autonomia e intervenção. Palavras-chave: psicodiagnóstico interventivo; entrevista devolutiva; estágio clínico; formação em Psicologia; ensino-aprendizagem
Avaliação da insatisfação com a imagem corporal e fatores associados em universitários da área da saúde

Mariana Silveira Farias6; Caroline Oliveira Amaral Rodrigues7; Lucinéia de Pinho8

Boletim Academia Paulista de Psicologia, 45(109), 129-137
Este estudo teve como objetivo avaliar a insatisfação com a imagem corporal (IC) e os fatores a ela associados entre universitários da área da saúde. A pesquisa se fundamenta em contribuições teóricas que discutem a imagem corporal como um constructo multidimensional, influenciado por fatores socioculturais, psicológicos e nutricionais. Trata-se de um estudo transversal, de abordagem quantitativa, realizado com 252 estudantes de quatro cursos da área da saúde, utilizando o Body Shape Questionnaire (BSQ) e dados autorreferidos. Os resultados apontaram baixa prevalência de insatisfação corporal (14,3%), embora associações significativas tenham sido identificadas com variáveis idades, estado civil, sintomas depressivos e estado nutricional. Observou-se que mesmo indivíduos com peso adequado apresentaram níveis de insatisfação, evidenciando a discrepância entre percepção subjetiva e parâmetros objetivos. Além disso, parte dos estudantes com sobrepeso demonstrou satisfação com sua imagem corporal, indicando possíveis mudanças nos padrões de aceitação corporal. Conclui-se que a percepção da IC entre universitários da saúde é influenciada por múltiplos fatores, destacando-se a importância de estratégias institucionais que promovam saúde mental, autoestima e valorização da diversidade corporal. Palavras-chave: insatisfação corporal; estudantes; saúde
Cinematerapia por meio de animes com adolescentes no ambiente escolar

Lídia Rafaelle Soares Ramos de Andrade9; Leila Salomão De La Plata Cury Tardivo10

Boletim Academia Paulista de Psicologia, 45(109), 138-149
A Cinematerapia é uma intervenção psicoterápica que utiliza filmes como recurso terapêutico, sendo especialmente eficaz com adolescentes. Apesar do seu potencial, há escassez de estudos no Brasil que evidenciem seus efeitos terapêuticos. Diante disso, esta pesquisa investigou os efeitos da Cinematerapia com animes em adolescentes. Trata-se de uma pesquisa-ação qualitativa, realizada com 38 estudantes da Escola de Aplicação da USP, dos quais 27 concluíram a intervenção. Os participantes foram distribuídos em seis grupos e assistiram a duas sessões com animes escolhidos por eles. A análise qualitativa buscou compreender os significados atribuídos às experiências vividas. A identificação com os personagens favoreceu a elaboração de questões internas, o reconhecimento de estados afetivos e a ressignificação de vivências. No entanto, a ausência de instrumentos objetivos de avaliação limita a mensuração dos efeitos. Recomenda- -se, portanto, o uso de métodos mais sistemáticos em futuras pesquisas para consolidar a Cinematerapia no contexto escolar. Palavras-chave: cinematerapia; adolescente; animes; oficinas psicológicas; efeitos terapêuticos
Coping, resiliência e o sentido do adoecer na residência médica

Lara Campello Vieira19; Angela Asensio-Martinez20; Esdras Guerreiro Vasconcellos21

Boletim Academia Paulista de Psicologia, 45(109), 150-160
A Síndrome de Burnout configura-se como resposta a estratégias de enfrentamento falhas ou insuficientes diante do stress ocupacional crônico, sendo especialmente prevalente entre profissionais da saúde. Nesse contexto, médicos residentes se destacam como grupo particularmente vulnerável, pois, apesar de inseridos em programas de excelência, enfrentam intensos desgastes físicos e emocionais. Assim, estratégias de coping funcionam como recursos para lidar com exigências internas ou externas; no entanto, sua ineficácia pode culminar no Burnout. Por outro lado, a resiliência representa um movimento intuitivo e inteligente de enfrentamento das adversidades, atuando como fator de proteção. Diante disso, o estudo teve como objetivo avaliar em residentes em baixo risco ao Burnout a presença ou não da caraterística de resiliência, analisando a percepção sobre as estratégias de coping utilizadas por eles, além da percepção do adoecimento durante a residência, verificando sua naturalização. Para tanto, foram realizadas entrevistas semiestruturadas com dez residentes, selecionados com base em seus resultados no Inventário para Avaliação da Síndrome de Burnout (ISB). A capacidade resiliente não foi claramente evidenciada nesse grupo e, embora tenham reconhecido a alta frequência do adoecimento, os participantes não o consideraram um aspecto natural do processo formativo. Palavras-chave: Burnout; coping; resiliência psicológica; médicos residentes
Estilos parentais e práticas educativas na perspectiva da díade pai-filho(a)

Amabli Fumagalli22; Dayane Canello23; Juliana Vieira Almeida Silva24; Ana Paula Sesti Becker25

Boletim Academia Paulista de Psicologia, 45(109), 161-170
Este estudo tem como objetivo analisar o estilo parental e as práticas educativas de pais (homens) de crianças entre nove e doze anos, na perspectiva da díade: pai-filho(a). Para tanto, trata-se de uma pesquisa transversal, quantitativa e descritiva. Participaram da amostra 48 participantes, constituída por 24 crianças e seus respectivos pais, os quais responderam individualmente aos instrumentos: Questionário semiestruturado sobre práticas parentais e o Inventário de Estilos Parentais. Realizaram-se análises estatísticas descritivas, tais como distribuição de frequência simples e porcentagem. Os resultados evidenciaram que os estilos parentais positivos se destacaram na amostra investigada. Além disso, os itens de brincadeiras e responsabilidades paternas estiveram presentes nas práticas parentais mencionadas. Todavia, práticas coercitivas, como abuso físico, além da ausência paterna, foram aspectos negativos relatados pelas crianças participantes. Salienta-se a importância de promover reflexões psicoeducativas para o desenvolvimento de estilos e práticas parentais saudáveis, assim como a participação paterna em diferentes contextos sociais. Palavras-chave: parentalidade; práticas parentais; envolvimento parental
Promoção de Funções Executivas em Adolescentes: Avaliação do Programa “Pare e Pense”

Matheus de Melo Rodrigues26; Giuliana de Oliveira Pinheiro27; Vinícius Marangoni Noro Veiga28; Elizeu Coutinho de Macedo29

Boletim Academia Paulista de Psicologia, 45(109), 171-181
Este estudo avaliou a eficácia do programa "Pare e Pense" no desenvolvimento de funções executivas (FE ́s) em adolescentes em situação de vulnerabilidade socioeconômica, analisando a percepção dos participantes sobre a inter- venção. Participaram 11 adolescentes (11-14 anos), imigrantes bolivianos e paraguaios, atendidos por uma ONG em São Paulo. O estudo seguiu três fases: (1) avaliação inicial do desempenho em FE; (2) aplicação adaptada do programa; e (3) feedback por meio de mapas mentais e redações. Análises quantitativas e qualitativas integraram dados de desempenho cognitivo e percepções dos alunos. Os participantes apresentaram desempenho médio nas FE ́s, com desafios em flexibi- lidade cognitiva. Atividades práticas foram destacadas como as mais eficazes, promovendo engajamento e aplicação de conceitos. Atividades abstratas geraram menor adesão, com críticas à clareza dos objetivos. A análise qualitativa revelou assimilação de estratégias organizacionais (mapas mentais) e impacto positivo no autocontrole. Barreiras linguísticas (bilinguismo espanhol-português) influenciaram a expressão emocional e a compreensão de metáforas. O programa demonstrou potencial para fortalecer as FE ́s em contextos vulneráveis, especialmente quando associado a metodolo- gias lúdicas e concretas. Limitações incluem amostra reduzida e ausência de grupo controle. Os resultados sustentam a urgência de políticas públicas que integrem desenvolvimento cognitivo e socioemocional em currículos escolares, prio- rizando estratégias contextualizadas para reduzir desigualdades educacionais. Palavras-chave: ciência; processos cognitivos; aprendizagem escolar; metacognição
Psicologia no sistema único de saúde pós-reforma psitquiátrica: desafios e contribuições

Gabrielle Pauletto Wakulicz30; Fernanda Ribeiro Dias31; Janaina Pereira Pretto Carlesso32

Boletim Academia Paulista de Psicologia, 45(109), 182-189
Este artigo tem por objetivo analisar sob uma perspectiva histórico-crítica, o impacto da Reforma Psiquiátrica Brasileira na formação e atuação do psicólogo nas redes públicas de saúde, destacando os avanços, desafios e contradições entre a teoria acadêmica e a prática profissional no SUS. Discutiu-se nesse estudo as principais modificações do modelo excludente da época, baseado na institucionalização dos indivíduos, até o período presente, acompanhando a trajetória e as adversidades dos psicólogos frente aos atuais princípios e valores adotados mediante a implementação do Sistema Único de Saúde. Tratando-se de um sistema relativamente recente, parte-se do pressuposto de que o campo psicológico segue em contínuo crescimento, visando uma nova ótica de cuidado e atenção através das ações de promoção e prevenção em saúde. Os resultados obtidos discorrem acerca da importância de reavaliar, constantemente, as condições das práticas assistenciais oferecidas, rompendo paradigmas elitizantes gerados pela clínica tradicional a fim de priorizar as práticas coletivas. O tipo de pesquisa caracteriza-se como documental de abordagem metodológica qualitativa. A busca foi realizada nas bases eletrônicas de dados do Google Acadêmico, SciELO e PePSIC. A interpretação seguiu uma abordagem qualitativa de caráter interpretativo, orientada por Minayo, e empregou a análise de conteúdo de Bardin. Palavras-chave: formação profissional; psicólogos; reforma psiquiátrica; serviços de saúde mental; sistema único de saúde
Utilizando grupos focais na adaptação e construção de medidads psicológicas e educacionais

Jessica Particelli Gobbo33; Ana Claudia Araujo da Cruz34; Bruna Caroline Pereira35; André Luiz Monezi Andrade36; Christian Zanon37; Letícia Lovato Dellazzana-Zanon38

Boletim Academia Paulista de Psicologia, 45(109), 190-199
O objetivo deste estudo foi descrever o uso de grupos focais como estratégia metodológica qualitativa para aprimorar a clareza e a validade de conteúdo de itens durante a construção de instrumentos psicológicos e educacionais. A partir da Escala de Projetos de Vida para Adolescentes (EPVA), foram conduzidos cinco grupos focais com 18 adolescentes de 14 a 17 anos, organizados por faixa etária. Os participantes analisaram os itens da escala e sugeriram reformulações para torná-los mais compreensíveis. As contribuições resultaram na modificação de 22 itens, considerando diferenças cognitivas, de vocabulário e socioculturais entre os adolescentes. Os resultados reforçam a relevância dos grupos focais como recurso complementar à avaliação por juízes, permitindo a produção de instrumentos mais adequados à população-alvo. Conclui-se que a implementação de grupos focais é uma etapa recomendável nos processos de construção e adaptação de testes, especialmente quando direcionados ao público adolescente. Palavras-chave: adolescência; projetos de vida; grupos focais; construção de instrumento; psicometria
Adultos que viveram a mediunidade na infância: uma análise pela psicologia analítica

Maria Luisa Lara Lafeta40; Mateus Donia Martinez41; Miriam Raquel Wachholz Strelhow42

Boletim Academia Paulista de Psicologia, 45(109), 200-212
O termo “Experiência Anômala” refere-se a uma série de vivências que divergem dos saberes populares e científicos de uma sociedade. No espiritismo kardecista, tais experiências são denominadas “mediunidade”, compreendendo que, durante a vivência, há um intercâmbio com espíritos. Embora uma parcela significativa de brasileiros acredite e vivencie a mediunidade, a Psicologia ainda não está teórica e metodologicamente preparada para atender às demandas dessas pessoas, mantendo uma postura distanciada em relação ao tema. Esta pesquisa, de caráter qualitativo e exploratório, teve como objetivo investigar como adultos que vivenciaram a mediunidade na infância significaram suas experiências. Foram considerados aspectos como o contexto de ocorrência, os significados atribuídos às vivências, a rede de apoio, bem como situações de sofrimento e bem-estar. Como instrumento, utilizou-se a entrevista semiestruturada, aplicada na modalidade online com três participantes. A discussão dos dados foi feita a partir de uma análise simbólica e da articulação com conceitos da Psicologia Analítica. Diante dos resultados, constatou-se a influência do contexto para a significação dos fenômenos, sendo o contexto familiar fundamental no período infantil. Relatos de sofrimento e bem-estar foram associados às vivências mediúnicas com atravessamentos particulares em cada caso. A análise dos resultados ressaltou a necessidade de se construir uma Psicologia mais comprometida com a diversidade étnico-religiosa, reconhecendo a legitimidade e importância destas crenças na vida do sujeito e mantendo a neutralidade religiosa ao abordá-las em estudos e práticas profissionais. Palavras-chave: infância; espiritismo; mediunidade; psicologia analítica
Gênero, violência e práticas dos psicólogos

Ida Kublikowsk43; Daniela Pupo Barbosa Bianchi44; Elisabete Garcia Marangon45; Janaina Maldonado Fernandes Secco46

Boletim Academia Paulista de Psicologia, 45(109), 213-222
O presente artigo analisa como as violências de gênero atravessam de forma diferenciada, sujeitos marcados por raça, classe e identidade de gênero no Brasil. De uma ótica conceitual, visa ofertar subsídios teóricos e reflexivos para consubstanciar manejos e práticas clínicas, a partir de três eixos: transexualidade, masculinidades e práticas em Psicologia. Discute-se a construção social da identidade de gênero, os impactos da masculinidade hegemônica e os desafios enfrentados por pessoas trans. A violência simbólica, institucional e física é analisada como reflexo de normas cisheteronormativas e patriarcais que perpetuam a exclusão, especialmente contra mulheres negras, homens jovens negros e pessoas trans. A clínica psicológica é então convocada a atuar de forma ética, sensível à diversidade e aos contextos sociopolíticos, por meio de uma escuta qualificada, de forma a desestabilizar hierarquias de gênero e reconhecer identidades dissidentes, reafirmando seu compromisso com práticas transformadoras, centradas na equidade e no direito à diferença. Palavras-chave: gênero; violência; transgênero; masculinidade; psicologia
O procedimento de desenhos-estórias com tema em entrevstas abertas de pesquisa

Tânia Maria José Aiello-Vaisberg47; Sueli Regina Gallo-Belluzzo48; Gisele Mirelles Fonseca49

Boletim Academia Paulista de Psicologia, 45(109), 223-231
O presente trabalho tem como objetivo apresentar e fundamentar o uso do Procedimento de Desenhos-Estórias com Tema (PDE-T) como recurso mediador de entrevistas abertas de pesquisas, que incluem eventualmente dimensão interventiva, no contexto da abordagem qualitativa, tal como assumida atualmente por pesquisadores das ciências humanas e das ciências da saúde. Justifica-se na medida em que a articulação de entrevistas abertas ao redor do PDE-T tem revelado, em inúmeros estudos, poder heurístico satisfatório, manejo relativamente fácil, forte caráter facilitador da expressão subjetiva dos entrevistados e possibilidade de ser usada à luz de diferentes referenciais teóricos. A presente exposição se organiza a partir de quatro seções. A primeira seção, de caráter introdutório, versa sobre a importância da entrevista aberta na pesquisa qualitativa, apontando problemas e soluções relativos ao seu uso. A segunda apresenta a articulação da entrevista psicológica aberta de pesquisa com o uso de atividades mediadoras, entre as quais se inclui o PDE-T. A terceira seção apresenta a fundamentação teórica do PDE-T, considerando-o tanto especificamente como na condição de exemplo de outros recursos mediadores. A quarta seção expõe sua utilização em pesquisas, como estratégia investigativo-interventiva. Concluímos acreditando ter demonstrado a fecundidade heurística e versatilidade do PDE-T, aqui considerado como representante de outros recursos mediadores, convidando pesquisadores adeptos da abordagem qualitativa a desfrutarem do seu uso. Palavras-chave: Procedimento de Desenhos-Estórias com Tema; entrevista aberta; pesquisa qualitativa
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